Actualidade, Qualificação e Formação

A situação actual tem vindo a fazer repensar um conjunto de valores, princípios e práticas. Assistimos, ao emergir de novos paradigmas, novas formas de pensar, de aprender, de actuar. A globalização, a sociedade digital, a desmaterialização, a desconstrução do poder estão na ordem do dia. Embora seja difícil fazer previsões, não podemos esquecer que o momento de retoma chegará e serão os melhor preparados, os primeiros a ganhar as oportunidades.

Nunca como agora as empresas necessitaram tanto de pessoas com fortes competências, ao nível técnico e comportamental. A envolvente externa e a preparação para o futuro, obriga a uma rápida adaptação à mudança e a contextos cada vez mais incertos, levando muito rapidamente a uma desactualização de conhecimentos. A aprendizagem ao longo da vida e a necessidade de cada vez mais e melhores qualificações são indissociáveis da actualidade. A formação continua a ser um elemento crucial para o desenvolvimento das competências organizacionais.

Como conseguir desenvolver competências e investir em formação quando a principal táctica é de “navegação à vista” – estar encima do que é emergente, ir ao encontro do essencial, investir criteriosamente no curto/médio prazo, em função do “lastro” (financeiro, de conhecimento e emocional) da empresa, quando as empresas, principalmente as pequenas e médias, estão preocupadas essencialmente com os resultados de curto prazo e com a sua sobrevivência?

É imperioso repensar a formação sob outra perspectiva e transformá-la numa actividade de forte impacto: focada no essencial; com uma forte componente pragmática; permitindo economias de tempo; com resultados a curto prazo, de qualidade, aplicável á realidade e vivencial.

Pode ser útil separar as diferentes formas de qualificação e formação em função do impacto e dos resultados a alcançar, ou seja das competências. Vivemos actualmente rodeados de MBA’s, Mini MBA’s, Pós-graduações das mais variadas cargas horárias, Encontros, Congressos com dois formadores e Congressos com várias mesas e temas em debate, Seminários, Conferências, Palestras, Cursos de formação. Todas elas são importantes e têm o seu espaço, mas, cada uma delas, se com qualidade, actua em diferentes faces (saberes, habilidades, experiência…) da mesma moeda – a competência.

No momento actual é crucial saber distinguir e escolher em função dos objectivos e dos resultados a alcançar.

Já há algum tempo se aponta à formação, quer escolar quer profissional, a necessidade de uma maior aproximação à realidade das organizações e do mundo do trabalho. Esta crise pode dar-nos essa oportunidade. A necessidade de controlo apertado dos investimentos e o foco nos resultados no curto prazo promovem, cada vez mais, a procura de uma formação à medida, por projecto, mais orientada para aplicabilidade dos processos e dos comportamentos e com uma forte ligação à actividade. As modalidades de formação-acção, desenvolvimento de equipas reais, formação centrada no indivíduo e nas suas características únicas, o acompanhamento e seguimento com recurso a métricas e instrumentos de feedback, bem como o uso de metodologias de envolvimento e compromisso, que recriem no pouco tempo de formação, simuladores de situações do quotidiano dos participantes com momentos de feedback, são algumas contribuições para transformar a formação numa actividade de forte impacto.

As crises moldam instituições e profissionais, por conseguinte, estas devem ser vistas, também, como oportunidades para que os mecanismos de qualificação e formação se reequacionem, se transformem e reforcem o papel que têm como geradores de conhecimento e formadores dos novos profissionais das organizações.

Paula Tomás

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