Credibilizar a formação – um imperativo!

A formação, enquanto produção e disseminação de saberes, deverá ser orientada para resultados, aumento de produtividade e competitividade, mas também existir como um meio ao serviço do desenvolvimento do capital humano do nosso país.

Como player nesta área há cerca de uma década, temos vindo a sentir, nos últimos tempos, a necessidade de evidenciar as variáveis indispensáveis para credibilizar a formação, no nosso país. Cada vez mais, importa realçar princípios, valores, capacidades e metodologias, que permitam diferenciar pela positiva esta actividade.

O primeiro passo é o Diagnóstico de Necessidades, o qual deve envolver de forma estreita e implicada todas as direcções e hierarquias. Para tal, é essencial o alinhamento em termos de necessidades e expectativas em torno da estratégia e dos valores da empresa.

As carências identificadas podem ser relativas a competências técnicas e específicas, ou transversais. As primeiras, muitas vezes são colmatadas por formadores internos, com todo o know-how técnico que lhes é reconhecido. Já as soft skills requerem, em primeiro lugar, conhecimento sobre os princípios cognitivos e emocionais que regulam o comportamento e a sua mudança, área de estudo de psicólogos e sociólogos, tal como os nossos consultores, o que os coloca num lugar exclusivo dentro das organizações, como facilitadores da gestão na promoção de mudanças nas pessoas. Em segundo lugar, a isenção e imparcialidade do consultor externo perante a empresa e toda a sua envolvência, torna-se um factor determinante para o sucesso da apropriação dos saberes.

A intervenção da empresa consultora, deverá passar, também, por compreender as necessidades de forma global: “vestir a pele” daquele cliente, falar e relacionar-se com os colaboradores como se da sua empresa se tratasse, estar dentro da casa do cliente, envolver-se na globalidade do processo de mudança e assumir-se como um vector responsável da obtenção dos resultados.

Construído o design pedagógico, importa decidir a melhor constituição de grupos. É verdade que a heterogeneidade pode trazer riqueza, mas nem sempre é a melhor escolha. No que toca a áreas de desenvolvimento pessoal, existem situações em que é importante dividir colaboradores e chefias, para que a reflexão e implicação seja mais espontânea.

Na formação em sala, o papel do formador deve ser o de facilitador da aprendizagem, privilegiando as metodologias activas. É essencial que o indivíduo tenha espaço para questionar, vivenciar e treinar, através de exercícios e simulações, as situações, tanto quanto possível, coladas ao contexto da organização. Esta é a forma como trabalhamos essencialmente. Com base neste princípio, os nossos programas de formação são pensados, estruturados e dinamizados para conseguir resultados. Importa desenvolver a capacidade de resolução de conflito e negociação, a resiliência e motivação, a implementação eficaz de orientação para o cliente, a liderança e o trabalho de equipas, competências muito valorizadas no contexto empresarial.

Terminada a formação, fica a questão: E agora? O que fazer? Como assegurar a continuidade destas apropriações? A partir daqui existem pelo menos duas soluções distintas. Uma delas passa por realizar um acompanhamento on job, com observação e feedback sobre as aquisições, num primeiro momento, com a colaboração do formador, e de seguida, com o envolvimento, uma vez mais, da hierarquia, para desempenhar o papel de coach. Com esta metodologia, estamos a proporcionar ao gestor as condições necessárias para promover o desenvolvimento dos seus colaboradores, condição essencial para assegurar a implementação e validação da mudança de comportamentos. A segunda solução passa por aplicar instrumentos de avaliação que permitam aferir os níveis atingidos, tendo por base indicadores concretos, como é o caso do Cliente Mistério e dos indicadores de qualidade e performance. Importa reter que a formação, para ser credível, tem que se munir de ferramentas que permitam, de uma forma válida, medir a sua eficácia.

Com base na experiência adquirida junto dos nossos clientes, consideramos ser determinante continuar a pôr em prática as premissas aqui apresentadas e apostar na relação de confiança, transparência e profissionalismo, como requisitos essenciais à credibilização da formação.

Artigo publicado na Revista Human, em Setembro 2012

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