Inteligência Emocional em contexto Escolar

A nossa sociedade tem valorizado, nos últimos anos, o ser humano inteligente. Na escola tradicional era valorizado apenas o saber técnico, o que levou a criar em muitas situações, adultos com muito “saber”, mas pouco “estar ou ser”.

Hoje sabemos que a inteligência académica, embora importante, não é suficiente para alcançar o êxito profissional. Os profissionais de sucesso hoje, não são necessariamente os que tiveram melhores notas na sua formação. São os que procuraram conhecer as suas emoções e como geri-las apropriadamente, como forma de acrescentar valor à sua inteligência. São os que cultivaram as relações humanas e percebem os mecanismos que movem as pessoas. São os que se interessaram mais pelas pessoas, do que pelas coisas e que entenderam o potencial do capital humano.

Até há pouco tempo era incontestado que um professor deveria educar para a conformidade, definir as condutas e controlar os comportamentos dos alunos sem ter em conta as emoções. Hoje, sabemos que devemos compreender e criar nos alunos uma forma inteligente de sentir, sem esquecer os sentimentos dos outros (pais, educadores…).

O funcionamento da Comunidade Escolar não deve centrar-se apenas em prescrições e regulamentações, deve antes, preocupar-se em desenvolver diferentes tipos de inteligência, a saber:

1 – Inteligência contextual: capacidade de auto-crítica relativamente ao seu contexto;

2 – Inteligência estratégica: capacidade de planear, desenvolver e avaliar projectos adequados às suas necessidades;

3 – Inteligência académica: capacidade de promover a qualidade curricular, considerando que a aprendizagem dos alunos está intimamente ligada à dos professores;

4 – Inteligência reflexiva: competências que possibilitam o controlo e a avaliação de todos os níveis da instituição;

5 – Inteligência pedagógica: capacidade de analisar o processo de aprendizagem, centrando-se na sua missão;

6 – Inteligência colegial: capacidade de o corpo docente trabalhar em conjunto “na procura de um fim comum”

7 – Inteligência emocional: capacidade da escola em dar voz aos sentimentos, emoções, afectos;

8 – Inteligência espiritual: capacidade de “valorizar a vida pessoal de cada indivíduo”;

9 – Inteligência ética: capacidade de “reconhecer a dimensão moral”.

 A Inteligência Emocional (Salovey et al., 1995) é definida como a habilidade individual para perceber, clarificar e gerir as nossas emoções e as emoções dos outros de forma a facilitar os processos cognitivos e promover o crescimento pessoal e intelectual. É entendida como uma habilidade individual para reparar os estados emocionais negativos e manter os positivos. (Queirós et al., 2005).

Fazem parte da inteligência emocional, as competências emocionais: pessoais e sociais. As competências emocionais pessoais, que determinam o modo como nos relacionamos connosco próprios, são: a autoconsciência (autoconsciência emocional, auto-avaliação exacta e autoconfiança); a motivação (vontade de vencer, entrega, iniciativa e optimismo) e; a auto-regulação (autodomínio, inspirar confiança, inovação e adaptabilidade). As competências emocionais sociais, que definem o modo como nos relacionamos com os outros, são: a empatia (compreender os outros, desenvolver os outros, orientação para o serviço, potenciar a diversidade, ter consciência política) e; as aptidões sociais (influência, comunicação, gestão de conflitos, liderança, ser catalisador da mudança, criar laços, colaboração e cooperação e capacidade de equipa).

Para que os alunos desenvolvam a sua inteligência emocional, é necessário que o professor também a desenvolva em si próprio. Aquilo que o professor ensina na prática docente está embebido pela sua própria personalidade. Desse modo, a inteligência emocional do professor é uma das variáveis que melhor explica a criação de uma aula emocionalmente inteligente.

O ensino da gestão das competências emocionais depende da prática, do treino, do exemplo e não tanto das instruções verbais. O essencial é exercitar, praticar e converter as competências emocionais em parte do repertório comportamental do adolescente. Desta forma, as técnicas de modelagem e de “role-playing” são fundamentais para a aprendizagem das competências emocionais.

Perceber o que o aluno sente, sem que ele o diga, constitui a essência da empatia, uma das características fundamentais da inteligência emocional. Os alunos revelam os seus sentimentos pelo tom de voz, pela expressão facial ou por outras formas não verbais de comunicação.

A partir do momento em que o professor reconhece as emoções do aluno (medo, raiva, ciúme, alegria, tristeza, vergonha), cria uma possibilidade de transmitir experiência e partilhar dificuldades.

No século XXI a escola tenderá a assumir a responsabilidade de educar as emoções dos alunos, tanto como a família. No contexto escolar são os professores os principais líderes emocionais dos seus alunos. A capacidade do professor para captar, compreender e regular as emoções dos seus alunos é o melhor meio de equilíbrio emocional da sua sala de aula. O professor ideal deverá ser capaz de ensinar a matemática do coração e a gramática das relações humanas e sociais.

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